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Opinadela: Redes Sociais e Candidaturas de Emprego

Fiquei parvo!

E aparvalhei de tal modo que se está a notar no início deste texto. A minha escrita revela o entorpecimento do meu cérebro. Sendo que tal acontecimento se associa à leitura desta notícia.

A leitura dos primeiros parágrafos correu muito bem e o meu pensamento começou a assimilar a informação e a fazer uma análise crítica. A crescente percentagem de recrutamento de novos funcionários online é algo que não assusta nem surpreende face à presença constante da tecnologia, da internet e das redes sociais nas vidas pessoais e profissionais. Com um perfil LinkedIn, por exemplo, é possível abranger um maior número de empresas potenciais empregadoras, além de permitir uma apresentação curricular resumida e mais apelativa. Até nem é assim tão mau acabar com os Curriculum Vitae fotocopiados nesse desagradável formato europeu (Europass) e com as despesas em transportes ou correio para entrega dos mesmos – bem sei que também se enviam por e-mail, mas na caça ao emprego a entrega pessoal poderá deixar uma boa impressão.

E estava agradado a ler tal exposição de dados, não tivesse chegado aos últimos parágrafos. Para além das empresas admitirem o investimento no recrutamento online com recurso às redes sociais, muitas admitiram igualmente pesquisar os perfis sociais dos candidatos, atendendo às suas publicações, procurando indícios de consumo de drogas, mensagens de cariz sexual e erros ortográficos. Foi aqui que o meu cérebro se baralhou ao ver baralhadas as esferas pessoais e profissionais.

 

Uma coisa é o recrutamento com base em perfis online com intuito profissional, outra coisa é investigarem os perfis sociais, onde temos os nossos momentos pessoais e amigos sociais – gestão de privacidade à parte. Neste momento seria o mesmo que entregar à minha entidade empregadora toda a minha correspondência e gravações das minhas atividades diárias e permitir o acesso ao meu e-mail pessoal, só para que o patrão possa ver como é realmente o meu comportamento fora do âmbito profissional – não vá eu ser um vegetariano praticante de ioga ou receber postais de natal de um colaborador de uma empresa concorrente. Haverá algo que impeça as empresas de focinharem nos perfis das redes sociais dos seus colaboradores? Talvez apenas a opção de tornarmos o nosso perfil numa eficaz redoma de privacidade e a própria ética do empregador que deverá considerar um abuso intrometer-se na esfera pessoal dos seus colaboradores.

Confesso que aderi tarde ao frenesim das redes sociais, tendo apenas criado conta no Facebook em 2012, sem sequer ter passado por Hi5 ou Orkut ou outras redes similares. E fi-lo hesitantemente, pois não me sentia à vontade para me expor de tal forma ao mundo. Porque essa é a verdade, ao criarmos um perfil numa rede social, estamos ao alcance de todo o mundo virtual. Mas não fui radical e não disse “Desta água não beberei”. Optei por acompanhar a evolução das redes sociais e informar-me mais sobre as mesmas. Só quando finalmente comecei a compreender qual poderia ser o verdadeiro alcance de um perfil social online é que avancei com o registo no Facebook. E depois veio o Twitter, que não me fascinou. E depois o Instagram que se tornou presença assídua. E o LinkedIn mais ou menos atualizado. E o Foursquare…

Mas agora preocupo-me, pois se uma das empresas que acabe por se interessar pelo meu perfil no LinkedIn for das tais que investigam as migalhas debaixo do tapete, estou lixado – desculpem a expressão, mas será a mais adequada ao estado atual do meu cérebro. Ora se o potencial empregador for um socialista ferrenho e caduco, não gostará nada de ver as minhas posições políticas mais liberais ou o meu escárnio face a António Costa. Se for vegetariano, odiará ver os meus cozinhados transbordantes de carne. Poderá ainda considerar que a partilha do videoclip de Dunas de GNR tem um acentuado cariz sexual – pois, eu também não me lembrava do videoclip, mas depois de me chamarem a atenção para o cariz sexual do mesmo não resisti a partilhar. Para não falar do uso de abreviaturas e expressões típicas das redes sociais (que adoto por considerar ser aquele o território para tal feito) que o farão pensar que eu tirei a licenciatura de Direito numa faculdade de vão de escada ao domingo. E se me apanham este blogue, então é que está o caldo entornado, pois perceberão o quão louco sou – ou então pensarão que inalo substâncias ilícitas com frequência tão intermitente como os meus textos.

A linha que separa os contextos profissionais e pessoais é ténue e cada vez mais é frequentemente ultrapassada. Trata-se de educar mentalidades e assumir – com as devidas adaptações – a máxima que de vez em quando vou ouvindo: “Não se devem levar os problemas pessoais para o trabalho, nem os problemas profissionais para casa.” Haja limites para a invasão de privacidade que consentimos nas redes sociais.

 

 

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